Em entrevista para a BandNews, senador também afirmou que imóvel citado em investigação não foi transferido a ele. Petista disse que não vai entregar cargo de líder do governo no Senado se Lula não decidir retirá-lo da função.
O líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), afirmou nesta quinta-feira (18) que os dólares apreendidos pela Polícia Federal na 9ª fase da Operação Compliance Zero têm origem em diárias pagas pelo Senado em razão de viagens para o exterior que realiza como parlamentar.
Em entrevista à BandNews, o petista também negou ter relação com Daniel Vorcaro e disse que não atuou em favor do Banco Master no Senado.
Ele declarou ainda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prestou solidariedade, em um telefonema após a operação da PF desta quinta, que teve Jaques como um dos alvos.
As investigações apontam que o parlamentar teria recebido uma série de vantagens indevidas em troca de atuação política no Congresso, como um apartamento em Salvador (BA) e R$ 3,5 milhões.
Após a entrevista, a assessoria de Jaques Wagner também divulgou uma nota à imprensa em que afirma que o parlamentar acompanha as investigações da PF com “tranquilidade” e se coloca à disposição da Justiça para esclarecimentos (leia a íntegra da nota aqui).
“Eu, várias vezes, viajei pro exterior, mandei até levantar. E, de 2019 pra cá ,eu recebi de diárias, aproximadamente US$ 70 mil dólares, e outras vezes que eu fui viajar eu comprei via Banco do Brasil, onde eu tenho conta, dólares ou euro, para fazer a viagem. Então, eu não tenho nenhuma coisa para esconder”, afirmou Jaques.
Segundo o petista, o dinheiro tem origem declarada e estava armazenado em envelopes com o timbre do Senado.
“Então, do ponto de vista do dinheiro, estou absolutamente tranquilo. Nunca recebi dinheiro de ninguém, muito menos do Master ou do Augusto Lima. Então, eu estou absolutamente à vontade”, acrescentou Jaques Wagner.
Dados publicados no Portal da Transparência do Senado apontam que, entre 2019 e 2026, o senador Jaques Wagner realizou 27 viagens internacionais e recebeu R$ 338,7 mil (US$ 66.830,07) em diárias.
Sobre a conversa que teve com Lula, Jaques Wagner afirmou que, além de manifestar solidariedade a ele, o presidente disse ao senador que estavam tentando desestabilizá-lo.
O parlamentar da Bahia afirmou que, se Lula não o retirar da função, permanecerá no cargo de vice-líder do governo e que vai manter a pré-candidatura à reeleição ao Senado.
“O presidente Lula ligou para se solidarizar comigo, dizer que mantém absoluta confiança, a gente se conhece há 48 anos. Portanto, ele sabe como é o meu modo de agir. Ele só ligou para dizer: “Fique firme, essa é uma tentativa de desestabilizar você, mas conte com a minha confiança”, disse Jaques Wagner, acrescentando que acredita que Lula não vai tirá-lo da liderança do governo.
Apesar das declarações de Jaques Wagner, já há um movimento, dentro do PT e do governo, pela saída do senador da Bahia do cargo de liderança. Essa posição foi levantada nos bastidores do Planalto e defendida, publicamente, pelo deputado federal Rogerio Correia (PT-MG), vice-líder do governo na Câmara.
Imóvel em Salvador
Em relação à negociação para a compra de um imóvel em Salvador (BA), Jaques Wagner afirmou que combinou com o banqueiro Augusto Lima, de quem é amigo, que comprasse o apartamento para, depois, Jaques recomprar o imóvel – que seria para uma filha do parlamentar.
De acordo com Jaques Wagner, não houve a transferência do imóvel para ele. O senador também disse não ter nenhuma relação com Daniel Vorcaro.
“Sobre o apartamento, na verdade é um apartamento que está em construção aqui no Horto. Eu tinha interesse de dar um apartamento, de ajudar minha filha a comprar um apartamento desse. Como o Guga, o Augusto Lima, é um investidor, eu disse a ele: ‘Você pode comprar? Depois eu vou recomprar’, porque o apartamento está em construção, não está pronto”, disse .
‘Eu teria que vender o apartamento de minha filha para poder complementar e pagar o apartamento ou ela financiar. Então não tem nenhuma transferência de patrimônio para mim, eu não tenho, vou repetir, nenhum negócio com o Master ou com o CredCesta”, completou.
Leia a íntegra da nota divulgada pela assessoria de Jaques Wagner:
Nota à imprensa
O senador Jaques Wagner (PT-BA) esclarece que não é réu, não foi denunciado e não foi acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados. O parlamentar acompanha com tranquilidade o andamento das investigações e mantém a confiança na condução delas.
Cabe esclarecer que o apartamento mencionado jamais integrou o patrimônio do parlamentar. O senador também nega atuação em favor do Banco Master ou qualquer outra instituição financeira.
Sobre os valores em espécie apreendidos, a assessoria informa que o montante é fruto de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais. Por fim, o senador Jaques Wagner reitera que permanece à inteira disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos, com a certeza de que a verdade prevalecerá.




