Itamaraty condena tratamento “humilhante” de Israel a ativistas

Itamaraty cobra ainda libertação imediata de brasileiros detidos por Israel após interceptação de embarcações em águas internacionais

Em nota oficial, o Itamaraty classificou como “degradante e humilhante” a forma como os ativistas foram tratados, especialmente pelo ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir.

O comunicado do Ministério das Relações Exteriores também reiterou o repúdio do Brasil à interceptação das embarcações em águas internacionais e à detenção dos participantes da missão humanitária, classificadas pelo governo como “ações ilegais”.

“O governo brasileiro deplora o tratamento degradante e humilhante dispensado por autoridades israelenses”, afirmou o Itamaraty. A pasta ainda exigiu a libertação imediata de todos os ativistas detidos, incluindo quatro brasileiros que integravam a flotilha.

Segundo o governo, Israel deve garantir “pleno respeito aos direitos e à dignidade” dos detidos, em conformidade com compromissos internacionais assumidos pelo país, como a Convenção contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes.

Entenda o caso

  • A reação brasileira ocorre após a divulgação de um vídeo publicado por Ben-Gvir nas redes sociais.
  • As imagens mostram ativistas ajoelhados, com as mãos amarradas nas costas e a testa apoiada no chão, enquanto o hino nacional israelense é reproduzido em alto volume.
  • Na gravação, feita já em território israelense, o ministro aparece segurando uma bandeira do país e chama os integrantes da missão de “apoiadores do terrorismo”.
  • A publicação provocou ampla repercussão internacional e abriu uma nova crise diplomática envolvendo Israel.
  • Governos de países como Espanha, Itália, França, Turquia e Canadá criticaram o tratamento aos ativistas.

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Itamar Ben-Gvir

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Benjamin Netanyahu e Itamar Ben-Gvir

Críticas de Netanyahu

As críticas também chegaram ao núcleo do governo israelense. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que a conduta de Ben-Gvir “não está de acordo com os valores e normas de Israel”, embora tenha defendido o direito do país de impedir que embarcações ligadas ao que chamou de “apoiadores terroristas do Hamas” chegassem a Gaza.

A flotilha havia partido do sul da Turquia na última semana e reunia cerca de 430 ativistas de aproximadamente 40 países.

Segundo os organizadores da missão, o objetivo era levar ajuda humanitária à população palestina e desafiar o bloqueio naval imposto por Israel à Faixa de Gaza.

Entre os brasileiros detidos estão a advogada de direitos humanos Ariadne Teles, a militante Beatriz Moreira, a desenvolvedora de software Thainara Rogério e o médico pediatra Cássio Pelegrini. Israel informou que os ativistas serão deportados.

 

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