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PMs presos por morte de jovem que levou 15 tiros são promovidos por ‘ato de bravura’

PMs presos por morte de jovem que levou 15 tiros são promovidos por ‘ato de bravura’

Segundo a Polícia Militar de Goiás, apesar de estarem enfrentando processos judiciais, os militares estão em conformidade com a lei. Douglas Araújo da Silva, de 19 anos, foi morto com 15 tiros durante um abordagem policial, em Anápolis.

 

Os policiais militares Rodrigo Troiani Ruela e Victor Lemes Vaz, que estão presos desde março pela morte de um jovem em Anápolis, foram promovidos pelo Governo de Goiás por “ato de bravura”. Jonathan Ferreira de Carvalho, que também foi promovido, responde pelo crime em liberdade desde abril.

em contato com a defesa dos três policiais militares e aguarda retorno.

Segundo a denúncia oferecida pelo Ministério Público de Goiás (MPGO), os três militares citados são acusados da morte de Douglas Araújo da Silva, de 19 anos. O rapaz foi atingido com 15 tiros durante uma abordagem policial, em abril de 2022 – Entenda a morte do jovem e a denúncia contra os PMs abaixo.

As promoções foram publicadas no site da Polícia Militar na quinta-feira (21). Rodrigo Ruela e Jonathan Carvalho eram soldados de 1ª classe e agora passam a ser cabos. Victor Vaz foi promovido de 2º a 1º sargento.

Em nota, a PMGO disse que as promoções dos PMs presos “ocorreram através de processos independentes que já estavam em andamento e, portanto, não estão relacionadas à prisão dos mesmos”. Reforçou que, apesar de estarem enfrentando processos judiciais, os militares estão em conformidade com a lei (leia a nota na íntegra ao final da reportagem).

Morte de jovem

 

O crime teria acontecido no dia 19 de abril de 2022. Douglas ia para a casa de um amigo levar uma pistola de brinquedo, usada em airsoft. No caminho, foi parado por uma viatura da PM, em que estavam o sargento Victor Vaz e os soldados Rodrigo Troiani e Jonathan Ferreira.

Os policiais afirmam que abordaram Douglas porque viram um volume suspeito por baixo da camiseta do rapaz. Na versão dos PMs, quando pediram para levantar a roupa, Douglas sacou a arma e fez menção de atirar.

A equipe alega ter agido “na antecipação do confronto”. Por isso, Victor e Rodrigo efetuaram 16 disparos contra Douglas. Desse total, 15 atingiram o rapaz.

Na versão dos PMs, não há nenhuma menção à arma de brinquedo. Ao invés de uma pistola de airsoft, dizem que foi encontrado um revólver calibre 32 com seis munições, sendo que uma delas teria sido usada.

 

Denúncia e prisão

 

A prisão dos policiais foi decretada pela Justiça no dia 24 de fevereiro, após denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO).

Os promotores justificaram o pedido alegando que os três PMs se envolveram posteriormente em outras mortes durante ações policiais.

“Além de não estar clara a existência de legítima defesa, temos que todos os acusados possuem diversas outras ações penais por homicídio, praticados antes e depois do caso ora analisado […] Em dois desses processos os acusados agiram juntos, o que indica uma atuação conjunta com letalidade excepcional, que merece ser coibida”, diz o documento.

A denúncia também não descarta a hipótese de que a arma mencionada pelos PMs tenha sido plantada na cena do crime para reforçar a versão de confronto.

“A família da vítima narrou na investigação policial que ela saiu de casa munida apenas com uma pistola de airsoft, a qual, embora se pareça com uma arma de fogo, não pode disparar projéteis letais”, diz o documento.

 

Motivação

 

Segundo a denúncia, a motivação do crime pode estar relacionada com uma briga em que Douglas se envolveu com um outro policial militar, que prestava serviços como segurança de um supermercado em Anápolis.

Essa confusão teria acontecido cinco meses antes da morte do jovem. Na ocasião, a mãe dele teria ouvido do policial que “o mundo vai matar ele”. No documento não há mais detalhes sobre este caso.

 

Nota íntegra PMGO

 

Em resposta à solicitação de nota sobre a promoção de três policiais militares, referente a portaria nº 17.958 de 2023, a PMGO informa que:

A promoção de policiais militares é determinada por critérios objetivos, tais como tempo de serviço, desempenho profissional e qualificação. As recentes promoções dos 03 (três) militares citados ocorreram através de processos independentes que já estavam em andamento e, portanto, não estão relacionadas à prisão dos mesmos.

Em uma consulta preliminar à Procuradoria Geral do Estado sobre o sobrestamento das promoções de policiais militares, o Comando-Geral da PMGO recebeu o seguinte parecer: “A suspensão ou adiamento das promoções em virtude de atos de bravura não é apropriada, uma vez que não existe uma sentença definitiva que altere o resultado dos processos administrativos. Além disso, é importante enfatizar que a avaliação meritória de ações consideradas atos de bravura é uma prerrogativa exclusiva da Corporação Militar (já avaliada nos autos em questão), sem prejuízo de uma possível intervenção judicial, caso seja identificado algum vício de ilegalidade no ato administrativo.”

É importante ressaltar que, apesar de estarem enfrentando processos judiciais, os militares estão em conformidade com as disposições da Lei Estadual nº 21.019, de 1º de junho de 2021.

A Polícia Militar do Estado de Goiás reafirma seu compromisso em cumprir rigorosamente a lei e acatar as decisões judiciais.

 

 

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